A frase é de Lula, no pronunciamento que fez na capital peruana, após reunir-se com Alan Garcia, presidente do Peru.
Lula não está errado.
Mas também está longe de estar certo.
O problema é extremamente complexo na América Latina.
Quanto ao Brasil, onde Lula ameaça implantar uma estatal aérea, aí sim, seria um desastre total.
Todas as vezes que o governo tentou intervir nessa área, não deu certo.
A começar pela criação da ANAC extinguindo o DAC, que tinha incorporado em seus quadros homens da aviação que sabiam o que estavam fazendo e dizendo.
Isso sim, foi um desastre!
Concordo com Lula quando diz que as empresas aéreas não estão conseguindo atender ao crescente movimento de passageiros. Mas ameaçar colocar uma estatal aérea no mercado não beneficiará em nada a proposta de se regularizar o problema.
Na verdade, essa complexa questão pode ser analisada de forma quase matemática.
Em definição simples:
Se existe o caos aéreo é porque as pessoas não estão conseguindo embarcar.
Se as pesoas não estão conseguindo embarcar é porque os assentos disponíveis não são suficientes.
Se não são suficientes é porque o número de aeronavas é insuficiente para atender a demanda deste ou daquele mercado.
Conclusão evidente: faltam assentos porque a frota de aeronaves das empresas aéreas brasileiras é realmente reduzida em relação as necessidades do mercado.
Neste ponto, Lula está certo.
Mas, lembrem-se que perdemos a antiga Varig, além da Vasp e Transbrasil.
Sabem o que isto significava em disponibilidade de aeronaves e assentos?
O mercado cresceu e o transporte aéreo recuou com a perda dessas empresas.
Mas o problema agora não é dar uma de Collor, quando chamou nossos carros de carroças e ameaçou abrir a importação para obter melhor qualidade (e obteve!).
Agora, não se trata de qualidade e sim quantidade.
Por isso fico torcendo pelo crescimento das miúdas WEBJET, OceanAir, TOTAL e outras.
Vem aí a AZUL LINHAS AÉREAS BRASILEIRAS, com mais 30 aeronaves.
O governo tem que incentivar a compra de novos aviões e a entrada de novas empresas nacionais no setor.
É muito mais racional o governo apoiar o desenvolvimento do transporte aéreo com incentivos , em vez de entrar nesse mercado como "competidor", escudado na frase "estamos aqui para ajudar".
Estatal, só criará problemas políticos, conflito com as demais voadoras e não resolverá nada.
Entendo que, desta vez, a intenção na ameaça de Lula foi para ajudar, dando um susto nas voadoras .
Mas daí a eventualmente querer criar uma estatal voadora . . . não encontrará céu de brigadeiro!
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